Eu peguei Covid, e aquilo não foi só uma doença. Foi como se alguém tivesse desligado meus comandos por dentro. Minha função neurológica foi afetada, eu fiquei inerte, perdida dentro do meu próprio corpo. Passei quinze dias sem conseguir urinar, sem evacuar, só bebia e vomitava… parecia que eu estava desaparecendo aos poucos. E, no meio desse caos, veio a depressão — e ela me abraçou de um jeito que ninguém nunca me abraçou. Frio, pesado, sufocante… mas constante.
Depois disso, o mundo continuou girando como se nada tivesse acontecido. Fui mandada embora de um emprego, fiquei só com um. E aí veio aquela fase da vida em que tudo resolve cair de uma vez: pancada, pancada, pancada. A perda do meu sobrinho. O burnout consumindo minhas forças. As dores no corpo, na mente, na alma. Eu senti tudo acumulado, tudo ao mesmo tempo… como se minha história tivesse virado um campo de batalha.
E nessa bagunça toda, eu me senti sozinha. Sozinha de um jeito que dói até lembrar. Parecia que eu estava no fundo do abismo chamando por alguém — e o eco era a única resposta. Quem ficou por perto foi meu pai, meu irmão, meus filhos… tentando me levantar, tentando me segurar, tentando me lembrar quem eu era. Mas mesmo assim, eu me senti na pior fase da minha vida. Destruída. Sem chão. Sem fé em mim.
Até que um dia, eu ouvi minha filha dizer que eu era uma fortaleza. E aquilo me quebrou e me ergueu ao mesmo tempo. Porque eu sou forte, sim… mas eu sou humana. Eu sinto. Eu desabo. Eu choro. Eu tenho limites. E por muito tempo eu esqueci disso.
Mas hoje… hoje eu tô me reconstruindo. Não é fácil. Não é rápido. É no meu tempo. É na minha força. É na minha verdade. Eu não tô tentando ser perfeita, nem indestrutível. Tô só tentando ser eu — a mulher que passou pelo impossível e ainda escolhe continuar.
E se isso não é força… então eu não sei o que é.
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