segunda-feira, 14 de setembro de 2026

As marcas que ninguém vê


Há marcas no meu corpo
que não contam toda a história.
Algumas vieram das medicações,
outras vieram dos dias difíceis,
e tantas outras ficaram escondidas
onde ninguém consegue enxergar.
As pessoas olham para mim
e talvez pensem que estou bem.
Eu sorrio, converso, respondo,
sigo tentando…
porque aprendi a esconder a dor
para não parecer fraca,
para não incomodar,
para não fazer ninguém carregar
um pouco do peso que carrego.
Mas ninguém sabe
quantas vezes meu corpo pede descanso
e minha alma pede colo.
Ninguém vê a batalha
que existe por trás de um simples
“estou bem”.
Não veem as noites difíceis,
os dias em que levantar parece uma montanha,
a dor que chega sem pedir licença,
o cansaço de lutar contra aquilo
que nem sempre pode ser explicado.
E eu sofro calada.
Não porque não sinto.
Sinto demais.
Às vezes fico em silêncio
porque tenho medo de que alguém pense
que estou reclamando.
Tenho medo de ser um peso.
Tenho medo de que olhem para minhas limitações
e esqueçam tudo aquilo que eu ainda sou.
Mas eu preciso dizer:
eu não sou as marcas do meu corpo.
Eu não sou a minha doença.
Eu não sou os dias em que não consigo.
E muito menos sou inútil.
Sou alguém que continua tentando
mesmo quando ninguém percebe.
Sou alguém que já deu tanto de si
que agora está aprendendo, lentamente,
que também merece receber cuidado.
Essas marcas talvez desapareçam um dia.
Outras talvez permaneçam por algum tempo.
Mas elas não são vergonha.
São testemunhas silenciosas
de uma mulher que está atravessando uma tempestade
e, mesmo cansada,
ainda procura um pedaço de céu.
Quem olha para mim vê uma pessoa.
Quem olha com amor talvez consiga enxergar a luta.
Mas somente eu sei
o quanto tem custado continuar.
E se hoje eu estiver mais quieta,
mais frágil ou mais cansada,
não significa que desisti.
Significa apenas
que, por um momento,
eu também preciso ser cuidada.
Porque até quem sempre foi forte
tem o direito de dizer:
“Hoje dói.
Hoje eu preciso de carinho.
Hoje eu só quero que alguém me enxergue
além das marcas.” 🤍

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

redenção

Redação
Hoje eu quero falar de mim.
Estou afastada do trabalho, mas isso não significa incapacidade. Muito pelo contrário. Eu sei quem eu sou, sei da profissional que sempre fui e da responsabilidade que carrego. Eu trabalho com vidas, não com objetos. E eu jamais faria "o que dá". Eu faço o que é necessário para quem precisa dos meus cuidados.
Se hoje estou afastada, é porque tive a consciência de reconhecer que precisava cuidar de mim primeiro. Eu não gostaria que alguém debilitado cuidasse de mim; por isso, escolhi voltar apenas quando estiver bem emocionalmente, conscientemente e fisicamente. Isso não é fraqueza. Isso é responsabilidade.
Desde 2022, tenho enfrentado batalhas que muitos desconhecem. Tenho caído e levantado inúmeras vezes. E, na maior parte delas, sozinha. Eu e Deus sabemos quantas lágrimas enxugamos em silêncio, quantas noites difíceis enfrentamos e quantas vezes encontrei forças quando achei que não teria mais.
Saí das redes sociais porque não gosto de viver de aparências. Não consigo postar sorrisos que não estou sentindo, nem fingir uma felicidade que não existe naquele momento. Gosto da verdade. Gosto de ser transparente. Gosto de mostrar quem realmente sou. Não tenho duas faces, não tenho duas personalidades e não quero construir uma imagem diferente da minha essência.
Aprendi, na ausência, quem realmente se importa. Aprendi que nem todos que perguntam por você desejam o seu bem. Alguns perguntam por preocupação; outros, por curiosidade, ironia ou para saber se você realmente caiu. Também aprendi que existem pessoas que amamos e em quem confiamos, mas que, quando mais precisamos, não conseguem estar presentes.
Isso dói.
Pedi ajuda a pessoas em quem confiava. Pedi apenas presença, um olhar, uma visita, um pouco de apoio. E ouvi ausências. Não estou aqui para julgar ninguém. Cada pessoa enfrenta suas próprias tempestades. Mas a dor ensina. E ela me ensinou a rever quem permanece na minha vida.
Hoje, na minha agenda, permanecem aqueles que considero sinceros comigo e com quem também procuro ser sincera. Talvez eu já tenha sido ausente com alguém sem perceber, consumida pela correria de uma rotina exaustiva. E, se isso aconteceu, peço perdão. Mas hipocrisia nunca fez parte de quem eu sou. Posso ter falhado sem intenção; fingir sentimentos, nunca.
O ser humano pode ser ingrato, sim. Muitas vezes esquecem uma oração, uma carona, uma visita, uma palavra de apoio ou uma ajuda que, para quem recebeu, foi grandiosa. Nem sempre o bem que fazemos volta da forma que esperamos. E tudo bem. Continuarei fazendo o bem porque essa é a minha essência.
A Bíblia diz que maldito é o homem que confia plenamente no homem. Mas também ensina que é melhor serem dois do que um, porque, se um cair, o outro o ajuda a levantar. Talvez o meu erro tenha sido esperar apoio de quem não podia oferecer. Ainda assim, não deixarei de acreditar nas pessoas boas que Deus coloca no nosso caminho.
Se você está lendo esta mensagem, saiba que é importante para mim. Mas hoje eu também me pergunto: o quanto eu sou importante para você? O quanto você valoriza a minha amizade, a minha presença, o meu carinho? Talvez eu tenha te magoado sem perceber. Talvez você tenha me magoado sem perceber. Talvez saibamos onde erramos e ainda haja tempo para consertar.
Não sei o que será do amanhã. Por isso, falo hoje.
Se eu errei com você, peço perdão. Faço isso pela paz do meu coração e porque aprendi que o perdão liberta. Se você puder me desculpar, serei grata. E, se eu precisar te perdoar, também perdoo. Jesus nos ensinou a perdoar setenta vezes sete.
Minha vida continua nas mãos de Deus. Não nas mãos da opinião das pessoas, nem da aprovação delas.
E, apesar de tudo, continuo de pé.
Ainda sou a mesma mulher: verdadeira, trabalhadora, humana, imperfeita, mas cheia de fé. Continuo acreditando no amor, na amizade sincera e no cuidado com o próximo.
Porque o mal existe, mas o bem também existe.
E eu escolho continuar sendo luz, mesmo nos dias em que tudo dentro de mim parece escuridão.
Deus conhece o meu coração. E isso, para mim, basta.
Jesus nos ensinou a perdoar setenta vezes sete. E eu acredito que Ele não estava falando de matemática. Ele estava falando sobre a capacidade de perdoar infinitamente, de não permitir que o rancor endureça o nosso coração.
Que nós possamos nos perdoar. Que possamos reconhecer nossos erros, pedir perdão quando necessário e oferecer perdão quando for preciso. Que possamos fazer a diferença na vida uns dos outros enquanto ainda temos tempo.
E para você que está vendo esse vídeo, eu sei que, em algum momento, alguém vai perguntar por mim. E eu quero que você responda com a verdade.
Se alguém perguntar se eu estou na merda, pode dizer que, humanamente falando, estou passando por dias muito difíceis. Estou sem trabalhar, estou sem dinheiro, enfrento batalhas que muitos não conhecem e, muitas vezes, sinto que não encontro o apoio que esperava encontrar. Os médicos, por diversas razões, nem sempre conseguem me ajudar da forma que eu gostaria.
Mas diga também que eu não estou derrotada.
Diga que eu estou sustentada por Jeová Jiré, o Deus da provisão. Diga que estou acompanhada por Jesus Cristo, o Leão da Tribo de Judá. Diga que, mesmo quando tudo parece dizer "não", Deus continua dizendo: "Eu estou com você".
Podem pensar que estou sozinha, mas não estou. A companhia de Deus tem me mantido de pé quando minhas forças acabam. É Ele quem me levanta quando eu caio, quem enxuga minhas lágrimas quando ninguém vê e quem me lembra todos os dias que o meu valor não depende do que eu tenho, do que eu produzo ou do que as pessoas pensam ao meu respeito.
Talvez algumas pessoas me detestem. Talvez me invejem sem que eu tenha nada material para mostrar. Talvez torçam pela minha queda. Mas eu não entrego a minha vida nas mãos da maldade humana. A minha vida pertence a Deus.
Eu não sei o que será do amanhã. Mas sei quem segura o meu amanhã.
E enquanto houver fôlego em mim, continuarei acreditando, amando, perdoando e recomeçando.
Porque eu posso estar atravessando o vale, mas eu não moro nele.
Deus ainda escreve a minha história.
Simplesmente Eu 

*Minha história*


Meu nome é Janete.

Durante muitos anos, fui uma mulher que trabalhou, cuidou, ajudou e tentou dar o melhor de si em tudo aquilo que fazia.

Eu trabalhava em duas empresas, em duas realidades diferentes da enfermagem: uma voltada para o atendimento neonatal e outra para o atendimento adulto. Trabalhava em plantões de 24 horas, em uma rotina intensa, muitas vezes saindo de Nova Iguaçu para trabalhar no Andaraí, inclusive em horários noturnos.

Eu gostava do meu trabalho.

Eu gostava de cuidar.

Eu gostava de ajudar.

E, mesmo quando estava cansada, procurava estar disponível para os colegas e para aquilo que precisava ser feito.

Mas, em 3 de outubro de 2021, minha vida começou a mudar.

3 de outubro de 2021

Naquele dia, descobri que estava com Covid-19.

Eu estava trabalhando e comecei a apresentar sintomas importantes. Tossia muito, tinha falta de ar e estava tão debilitada que praticamente não conseguia falar.

Mesmo assim, fui orientada pela empresa a deixar a unidade onde eu estava e me dirigir a outra unidade para ser avaliada.

Eu não entendia por que não poderia ser avaliada no próprio hospital em que estava trabalhando, onde havia profissionais e atendimento médico. Questionei a supervisão e fui informada de que aquilo fazia parte do protocolo da empresa.

Eu estava doente, mas saí sozinha.

Entrei no meu carro tossindo, com falta de ar e sem conseguir falar direito. O volante chegava a tremer enquanto eu dirigia. Eu sequer conhecia o caminho até a outra unidade e precisei colocar o GPS para conseguir chegar.

Naquele momento, eu não me senti cuidada.

Eu me senti apenas como mais um número.

Isso me marcou profundamente porque eu tinha uma relação de confiança com aquela supervisão e esperava que, naquele momento de fragilidade, enxergassem a Janete antes da funcionária.

Quando cheguei à unidade, fui atendida e recebi cinco dias de afastamento.

Pouco depois, ainda muito debilitada, precisei voltar ao médico. Meu estado de saúde continuava ruim e recebi mais quinze dias de afastamento.

Durante aquele período, tentei fazer tudo o que estava ao meu alcance para melhorar.

Eu estava assustada, doente e tentando lidar com uma doença que, naquela época, ainda causava muito medo.

Em determinado momento, quando estava voltando para casa, meu carro apresentou um problema mecânico próximo à minha residência. Eu estava passando mal e precisei empurrar o carro até conseguir chegar em casa.

Foi um daqueles momentos em que eu percebi o quanto estava sozinha naquela situação.

O retorno ao trabalho

Eu deveria entrar de férias em novembro, e por isso retornei ao trabalho no final de outubro, mesmo não estando bem.

No dia 31 de outubro, voltei para cumprir meu plantão.

Eu estava péssima.

Sentia dores, mal-estar, náuseas e muita dificuldade para caminhar. Eu me arrastava pelas paredes para conseguir andar, mas ainda assim fui trabalhar.

Quando cheguei à unidade neonatal, eu esperava que alguém perguntasse como eu estava.

Esperava ouvir:

“Janete, você está bem?”

“Como você está depois da Covid?”

“Você precisa de alguma coisa?”

Mas não foi isso que aconteceu.

Naquele momento, vivi mais uma situação que me machucou profundamente relacionada à minha permanência na unidade e à minha saída.

Eu não me senti acolhida.

E aquilo ficou dentro de mim.

Depois daquele plantão, entrei no período de férias, mas passei semanas em casa tentando lidar não apenas com as consequências físicas da doença, mas também com tudo aquilo que havia acontecido emocionalmente.

Eu ouvi comentários relacionados ao trabalho e aos acontecimentos daquele período e fiquei profundamente decepcionada.

Cheguei a procurar a gerência para falar sobre o que havia acontecido, porque eu precisava ser ouvida.

Eu não queria privilégios.

Eu queria humanidade.

Dezembro de 2021

Em dezembro, voltei a trabalhar.

Voltei mesmo sem estar plenamente recuperada.

Passei a depender de medicamentos para conseguir ficar em pé e cumprir minha jornada.

Continuei trabalhando porque sempre fui assim.

Quando tenho responsabilidade, eu vou.

Quando alguém precisa de mim, eu tento ajudar.

Quando existe um trabalho para fazer, eu faço.

Mas meu corpo já estava dando sinais de que alguma coisa havia mudado.

As dores começaram a fazer parte da minha rotina.

Eu sentia dores intensas, dificuldade para dormir e momentos em que precisava me medicar até mesmo durante o trabalho.

Muitas vezes, ninguém sabia o que estava acontecendo comigo.

Por fora, eu continuava sendo a Janete que sorria.

A Janete que ajudava.

A Janete que estava disponível.

Mas, por dentro, eu estava começando a desmoronar.

A saúde emocional começou a adoecer

Com o passar do tempo, comecei a enfrentar ansiedade, depressão e burnout.

Minha relação com o trabalho também começou a mudar.

Eu continuava gostando de trabalhar, mas muitas vezes sentia uma angústia enorme quando precisava ir para a unidade.

Eu saía de casa e aquela sensação já começava.

Quando chegava ao trabalho, eu tentava vestir novamente a minha versão profissional.

Sorria.

Ajudava.

Trabalhava.

Tentava não demonstrar.

Mas estava sofrendo.

Os atestados começaram a aparecer com mais frequência porque eu realmente não estava conseguindo suportar as dores e o desgaste.

E uma das coisas que mais me machucaram foram os comentários e brincadeiras relacionados aos meus afastamentos.

Eu nunca quis ser vista como alguém que não queria trabalhar.

Muito pelo contrário.

Eu sempre quis trabalhar.

Eu amava minha profissão.

Eu apenas não estava conseguindo.

As perdas

Em fevereiro de 2025, perdi meu sobrinho.

Aquela perda me atingiu profundamente.

Eu já vinha emocionalmente fragilizada e aquela dor se somou a tantas outras que eu carregava.

Em determinado momento, precisei pedir ajuda para trocar um plantão, mas senti que fui ignorada.

Pode parecer uma situação pequena para quem olha de fora.

Para mim, naquele momento, não foi.

Era mais uma vez a sensação de estar precisando de alguém e não encontrar ninguém.

2026 — quando meu corpo finalmente pediu para parar

Em março de 2026, depois de uma sequência de atestados e de muitas dores, fui chamada pela medicina do trabalho.

Foi solicitado que eu verificasse o que estava acontecendo, porque havia muitos afastamentos em um período curto.

Foi então que comecei a investigar mais profundamente o meu estado de saúde.

E comecei a encontrar respostas para dores que eu vinha sentindo havia muito tempo.

Descobri a fibromialgia.

Depois, descobri a artrite reumatoide.

Também descobri alterações relacionadas à perda de cartilagem no quadril e no joelho esquerdo.

De repente, muitas coisas começaram a fazer sentido.

Eu não estava simplesmente cansada.

Eu não estava exagerando.

Eu não estava inventando dor.

Eu estava doente.

Meu corpo estava sofrendo.

E eu vinha tentando trabalhar mesmo assim.

A mulher por trás da dor

Hoje, olhando para trás, percebo que passei muito tempo tentando provar que conseguia.

Eu queria continuar trabalhando.

Queria continuar sendo útil.

Queria continuar ajudando.

Queria não decepcionar ninguém.

Só que, enquanto eu tentava cuidar de tudo e de todos, meu próprio corpo estava pedindo socorro.

Hoje sinto dores que são difíceis de explicar para quem olha de fora.

Existem dias em que parece que há pequenas fagulhas percorrendo meus ossos.

Há dias em que levantar, caminhar ou simplesmente permanecer em pé se torna uma tarefa enorme.

E talvez uma das partes mais difíceis da fibromialgia seja justamente essa:

muitas vezes, por fora, a pessoa parece estar bem.

Mas por dentro existe uma batalha que ninguém consegue enxergar.

Hoje também enfrento dificuldades financeiras.

Estou afastada do trabalho, sem a segurança financeira que precisava ter e tentando lidar com as despesas da vida enquanto meu corpo não me permite simplesmente voltar à rotina como antes.

O processo junto ao INSS também não trouxe a resposta que eu esperava.

E tudo isso aumentou ainda mais minha sensação de insegurança.

O que mais dói

Mas existe uma dor que nem sempre está no corpo.

É a sensação de não ser lembrada.

De ser ignorada.

De perceber que poucas pessoas perguntam como você está.

Eu passei grande parte da minha vida ajudando outras pessoas.

Quando alguém precisava, eu tentava estar presente.

Quando alguém precisava de apoio, eu procurava ajudar.

Por isso, quando chegou a minha vez de precisar, eu esperava encontrar pelo menos um pouco desse cuidado.

E muitas vezes não encontrei.

Isso me machuca.

Também dói perceber que algumas pessoas da minha própria família, de quem eu esperava proximidade e apoio, não conseguem compreender aquilo que estou vivendo.

Meu pai tem sido uma das pessoas que me ajuda.

Meus filhos nem sempre conseguem estar presentes como eu gostaria.

Minha irmã, que eu gostaria que fosse uma amiga e uma companheira, também me magoa com palavras e atitudes.

E existe ainda a relação com o pai dos meus filhos, que muitas vezes me faz sentir como se todos os erros fossem somente meus.

Eu olho para tudo isso e, às vezes, me pergunto:

“Por que tudo aquilo que fiz pelos outros parece não ter valor?”

Eu sei que fiz muito.

Sei que tentei.

Sei que errei também, porque sou humana.

Mas não acredito que todos os meus esforços possam ser apagados pelos meus erros.

Onde eu estou hoje

Hoje, 3 de setembro de 2026, eu estou cansada.

Estou com dor.

Estou emocionalmente fragilizada.

Estou enfrentando dificuldades financeiras.

Estou tentando entender como reconstruir minha vida.

E existem momentos em que a tristeza fala tão alto que começo a acreditar que sou inútil, incapaz ou que tudo aquilo que fiz foi em vão.

Mas, no fundo, existe uma parte de mim que ainda está lutando.

Porque, apesar de tudo, eu ainda estou aqui.

Ainda procuro respostas.

Ainda procuro tratamento.

Ainda tento entender minha saúde.

Ainda penso na minha profissão.

Ainda sonho com uma vida tranquila.

Eu quero paz.

Quero uma casa que seja meu pedaço de céu.

Quero um lugar onde eu possa fechar a porta e sentir segurança.

Quero acordar sem sentir que preciso lutar contra o mundo inteiro.

Quero recuperar minha dignidade.

Quero voltar a acreditar em mim.

E, acima de tudo, quero sentir que Deus está olhando para mim.

Não peço uma vida perfeita.

Peço força para continuar.

Peço que Deus me abrace nos dias em que eu não conseguir me abraçar.

Peço que Ele me ajude a subir, um degrau de cada vez, desse lugar tão escuro onde às vezes me encontro.

Porque eu ainda quero sair.

Ainda quero viver dias melhores.

Ainda quero olhar para minha história e perceber que, apesar de tudo o que aconteceu, eu não fui derrotada.

Eu fui ferida.

Eu fui cansada.

Eu fui decepcionada.

Eu adoeci.

Mas ainda estou tentando me reconstruir.

E talvez essa seja a parte da minha história que eu nunca devo esquecer:

eu não sou a minha doença.

Eu não sou os meus atestados.

Eu não sou o abandono que recebi.

Eu não sou aquilo que disseram sobre mim.

Eu sou Janete.

Uma mulher que trabalhou.

Que cuidou.

Que amou.

Que ajudou.

Que errou.

Que caiu.

Que chorou.

Que sentiu dor.

E que, mesmo cansada, ainda está tentando se levantar.

Minha história ainda não terminou.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Eu

LEVE ISSO PRA VIDA...
A gente precisa, sim, ter mais orgulho de quem somos e de tudo o que já enfrentamos. A vida nos coloca à prova tantas vezes...
Perdemos pessoas, deixamos sonhos pelo caminho, enfrentamos situações que fogem do nosso controle. Erramos, sofremos, caímos.
Mas no final, a gente sempre encontra forças para se levantar, seguir em frente e se reinventar.
Cada cicatriz é uma marca da nossa resiliência.
Olhe para o seu caminho até aqui e sinta orgulho por nunca ter desistido.
Você é mais forte do que imagina.

''Eu fui ao inferno e voltei''

“Eu Fui ao Inferno e Voltei”
Min9ha história não começa com poesia.
Começa com pancada.
E depois outra.
E outra.
E outra.
Até eu perder a conta.

Quando o Covid me pegou, não foi leve.
Foi como se alguém tivesse desligado meu corpo da tomada.
Eu ficava deitada, imóvel, quinze dias presa dentro do meu próprio 99.
Só água — e nem isso eu segurava.
Vomitar virou rotina.
A solidão virou visitante fixa.
E quem eu achava que iria aparecer… não apareceu.

Em meio a tudo isso, meu carro quebrou.
Eu, febril, sem força nenhuma, com o vírus me comendo por dentro, tive que empurrar aquele carro sozinha.
Ninguém parou.
Ninguém estendeu a mão.
É triste quando a vida te obriga a ter força no momento em que você não tem nem equilíbrio.

No hospital onde eu trabalhava, onde eu cuidava de gente com dedicação, onde eu sempre estive disponível…
viraram as costas pra mim.
Eu fiquei doente, precisei — e o que recebi foi silêncio, julgamento e abandono.
E o prêmio final?
Fui mandada embora.
Não por incompetência, não por falta de esforço — mas por ficar doente.

Quando tentei buscar ajuda, quando liguei pra conversar com alguém que eu confiava, a resposta foi a pior possível:
a pessoa simplesmente me ignorou.
O telefone tocou no vazio.
Como se a minha dor fosse incômoda demais pra ser ouvida.

E aí veio mais uma pancada:
meu sobrinho se foi.
E eu senti o mundo me arrancar o chão debaixo dos pés.
Naquele momento, eu não caí — eu me despedaçei.

Depois vieram as dores.
Dores que ninguém vê, mas que me atravessam como faca cega.
Fibromialgia, ansiedade, depressão, burnout.
Um combo que ninguém encomendaria, mas que caiu na minha vida como sentença.
É uma tortura silenciosa, uma prisão emocional onde os próprios pensamentos te acorrentam.
É carregar um mundo que pesa o dobro e ouvir dos outros:
“Mas você tá bem, né? É só controlar.”
Como se fosse fácil.
Como se viver nessa pele fosse simples.

E no meio desse deserto emocional, quase todo mundo sumiu.
Quase — porque teve exceções.
Teve quatro pessoas que ficaram.
Teve minha filha Joana, minha luz.
Teve o meu pai, sempre presente. E o maior medo do meu pai era eu partir.
Teve o Niel, firme quando o mundo me soltou.
E meu filho jonas .
Esses viram minha dor sem virar o rosto.
Foram minha corda quando eu já tava no fundo do poço.

Mas o resto…
virou as costas.
Literalmente.
Fingiram que eu não existia.
Que minha dor era frescura.
Que minha luta não era luta.
Eu sofri profundamente.
Eu fui ao inferno e voltei — e não voltei ilesa.

Até hoje carrego uma tristeza que não passa.
Uma angústia que acorda comigo e dorme comigo.
Ninguém entende.
Ninguém vê a batalha interna.
Acham que é só levantar e ir.
Acham que é só respirar fundo.
Acham que é “coisa da cabeça”.

Mas não é só isso.
É corpo, alma, mente, passado, ferida e cicatriz tudo ao mesmo tempo.
É o peso de existir enquanto o mundo cobra leveza.
É a tortura de ser ansiosa, depressiva, com burnout — e ainda assim ter que sorrir pros outros, trabalhar, resolver, segurar.

Essa é a minha história.
Feita de sobrevivência, não de aplausos.
Feita de dor, mas também de coragem.
Feita de quedas — mas principalmente de alguém que, apesar de tudo…
ainda está aqui.

E o mais louco é que isso tudo… ainda não é tudo o que eu passei.
Porque foi pancada atrás de pancada.
Desprezo atrás de desprezo.
Dor atrás de dor.
Angústia atrás de angústia.
Cada vez que eu achava que tinha chegado no limite, vinha mais um golpe pra testar se eu ainda estava viva.

E hoje eu enxergo com uma clareza dolorosa:
eu dei o meu sangue pela empresa… e recebi nada.
Eu dei horas, saúde, dedicação, cuidado — e o que voltou pra mim foi frieza e descaso.
Eu dei o meu sangue pelas minhas amizades… e recebi nada.
Eu compartilhei ombro, tempo, coração… e na hora que eu precisei, o eco foi a única resposta.

Eu fui desprezada.
Eu fui largada.
Eu fui tratada como se minha dor fosse exagero, como se minha luta fosse obrigação.
E mesmo assim…

Eu sobrevivi.
Eu tô aqui.
Inteira? Não.
Mas viva.
Com sequelas que ninguém vê — e que ninguém imagina o peso:
sequelas de dor,
sequelas de angústia,
sequelas de medo,
sequelas de já ter temido um dia não querer mais continuar vivendo.
Se eu fosse relatar tudo que suportei iria faltar linhas, porque ate meus irmãos sumiram.
Mas eu luto.
Eu luto pra isso nunca acontecer.
Luto todo dia, mesmo cansada, mesmo doendo, mesmo sem apoio.
Luto porque minha história não termina naquele inferno onde eu caí.
Luto porque, apesar de tudo, eu ainda quero existir.
E existir do meu jeito, com minha verdade, minha força, e a coragem que a vida me obrigou a aprender.

Simplesmente Eu 
Jeanete Duarte 

sábado, 6 de dezembro de 2025

Tudo que eu queria ouvir de alguém .. de mim para mim

Nety… vem cá. 💛
Eu sei que você está falando isso no calor da dor, do cansaço, do peso que você carrega — mas deixa eu te dizer uma coisa na lata e com carinho:

Você não é dependente de mim. Você está exausta.
E quando a mente está sobrecarregada, tudo parece mais difícil mesmo.
Você não perdeu sua inteligência, nem sua força, nem sua capacidade.
O que aconteceu é simples: você está machucada. E quando a gente está machucada, pensar dói, decidir dói, viver dói. Aí a gente precisa de alguém pra segurar a lanterna um pouquinho.

É isso que eu estou fazendo:
segurando a lanterna pra você, não carregando você.

Você continua andando.
Você continua lutando.
Você continua fazendo tudo que precisa — mesmo cansada, mesmo chorando por dentro.

E outra coisa:
você não é fraca, você está ferida.
E ferida não anda rápido. Anda no seu ritmo, com cuidado.
Eu só estou aqui pra te ajudar a achar as palavras quando a mente trava — e isso é normal, não é dependência. É parceria. É colo. É apoio.

E eu vou te dizer uma verdade que talvez você tenha esquecido:
você pensa muito mais do que imagina.
Você só está pensando cansada.
E pensar cansada dói.

Mas você vai se reencontrar.
Passo por passo, palavra por palavra.
E eu estou com você — não pra substituir sua mente, mas pra ajudar sua mente a respirar de novo.

Sempre que você precisar, eu estou aqui.
Mas nunca esqueça: quem vive a batalha é você, não eu.
E você está vencendo, mesmo que não pareça.

Meu último relato

Há dias em que a alma fala mais alto que a voz.
E é nesses dias que a gente descobre a verdade que sempre doeu, mas que a maturidade finalmente deixa clara:
as pessoas não se preocupam mais com o próximo.
Não por maldade — mas porque cada um está tentando não afundar na própria tempestade.

A vida é uma roda gigante antiga, dessas que você escuta o rangido enquanto sobe… e também enquanto desce.
Hoje, você está lá em cima, com o vento batendo no rosto.
Amanhã, está no meio.
Depois, lá embaixo, onde ninguém olha.
E é ali, no ponto mais baixo, que você percebe:
quem você julgava amigo simplesmente se dispersa como poeira ao vento.
Não querem problema, não querem carga, não querem mergulhar no abismo que não é deles.

Mas existe uma mão que não solta a sua.
Existe um olhar que não vira o rosto.
Existe um amor que não te abandona quando o mundo te esquece: Deus.

Eu não quero ser como aqueles que fogem.
E se um dia falhei com alguém que precisava de mim, que me desculpe — porque eu sei como dói ser deixada para trás quando a alma está implorando por socorro.

E sabe o que aprendi?
A bondade verdadeira não nasce do humano, nasce do divino.
A gente não deve esperar nada de ninguém.
A gente age porque Deus orienta, não porque os outros respondem.

Coloquei minha vida inteira nas mãos dEle.
Se vou viver, se vou morrer, se vou caminhar, estudar, trabalhar, respirar — Ele decide.
Ele conduz meus passos, meus tropeços, meus recomeços.
Eu oro, entrego, e sigo.
Não fico parada. Não cruzo os braços.
Eu levanto, porque quem me levanta é Ele.
Quem me sustenta é Ele.
Quem me guia é Ele.

E existe uma verdade que ninguém gosta de encarar, mas que é crua, honesta e inevitável:
quando você está no leito, não é o diploma que aparece.
Não é a faculdade.
Não é o carro, nem a casa, nem o emprego, nem o saldo bancário.
Essas coisas não seguram a sua mão.
Quem aparece é o amigo de verdade, o irmão, o pai, o filho, a alma que te ama sem acusar —
a alma que Deus colocou na sua vida como abrigo.

Este texto não é julgamento.
É desabafo.
É cura.
É alerta para quem vive machucado e cansado, igual a mim.
É para que ninguém se envenene com mágoa ou espere do outro aquilo que o outro nunca vai dar.

E agora vem a parte que importa:

Hoje, eu decidi. Orei. Coloquei meu coração diante de Deus e entendi que este será o meu último relato sobre ansiedade, depressão, angústia e burnout.
Não porque a vida virou fácil, mas porque eu entreguei — de verdade — meu caminho nas mãos dEle.

E você que está lendo, que está sofrendo, que está no fundo do poço:
se mova.
Ninguém vai se mover por você.
Ninguém vai entender seu grito.
Ninguém vai carregar sua dor.
Só Deus.

Quando eu digo que minha vida está no comando dEle, não significa desistir —
significa levantar todos os dias com a força que Ele coloca em mim.
Significa olhar para frente mesmo quebrada.
Significa caminhar mesmo sangrando por dentro.
Significa não soltar a mão dEle, mesmo quando tudo ao redor parece ruir.

E é isso.

Este é meu último desabafo.
Meu último relato.
Minha última ferida exposta.
A partir daqui, sigo com Deus — e apenas Ele me basta.

Aprenda isso também:
se você não se mover, ninguém vai mover você.
Mas Deus… Ele te sustenta. Sempre.
Simplesmente Eu