sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Escrevo para mim, e falo baixinho como quem se dar um abraço


A chuva cai sobre o meu corpo e escorre pelos meus cabelos ruivos como fios de cristal.
Por muito tempo, ouvi nela a voz da tristeza — pensei que o céu conspirava contra mim.
Hoje sei: o tempo é inocente. O vento só sopra, o céu só se abre.
O que doeu veio de corações humanos, não da água que cai.

A chuva já foi lembrança pesada; agora escolho vê-la diferente.
Ela pode ser abraço, limpeza, renovo. Pode bater na pele e arrancar o pó dos meus medos.
Posso dançar com ela na areia, ouvir a música das ondas e sorrir.
A mesma água que um dia trouxe lágrimas hoje me banha em alegria.

Deixo a chuva cair. Deixo-a molhar meu rosto, meus cabelos, minha pele que insiste em viver.
Faço da chuva testemunha da minha reconstrução: não sou a minha dor.
Sou quem aprendeu a separar o tempo dos gestos cruéis.
Sou quem transforma um dia cinzento em promessa de alegria.

Escrevo isto para mim, para lembrar: a chuva não é ruim. Nós que, às vezes, somos.
E eu escolho ser luz — até quando chove. 🌧️✨

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