domingo, 30 de novembro de 2025

Eu e eu

Eu preciso contar minha história, porque ela não cabe mais só dentro de mim.

Eu peguei Covid, e aquilo não foi só uma doença. Foi como se alguém tivesse desligado meus comandos por dentro. Minha função neurológica foi afetada, eu fiquei inerte, perdida dentro do meu próprio corpo. Passei quinze dias sem conseguir urinar, sem evacuar, só bebia e vomitava… parecia que eu estava desaparecendo aos poucos. E, no meio desse caos, veio a depressão — e ela me abraçou de um jeito que ninguém nunca me abraçou. Frio, pesado, sufocante… mas constante.

Depois disso, o mundo continuou girando como se nada tivesse acontecido. Fui mandada embora de um emprego, fiquei só com um. E aí veio aquela fase da vida em que tudo resolve cair de uma vez: pancada, pancada, pancada. A perda do meu sobrinho. O burnout consumindo minhas forças. As dores no corpo, na mente, na alma. Eu senti tudo acumulado, tudo ao mesmo tempo… como se minha história tivesse virado um campo de batalha.

E nessa bagunça toda, eu me senti sozinha. Sozinha de um jeito que dói até lembrar. Parecia que eu estava no fundo do abismo chamando por alguém — e o eco era a única resposta. Quem ficou por perto foi meu pai, meu irmão, meus filhos… tentando me levantar, tentando me segurar, tentando me lembrar quem eu era. Mas mesmo assim, eu me senti na pior fase da minha vida. Destruída. Sem chão. Sem fé em mim.

Até que um dia, eu ouvi minha filha dizer que eu era uma fortaleza. E aquilo me quebrou e me ergueu ao mesmo tempo. Porque eu sou forte, sim… mas eu sou humana. Eu sinto. Eu desabo. Eu choro. Eu tenho limites. E por muito tempo eu esqueci disso.

Mas hoje… hoje eu tô me reconstruindo. Não é fácil. Não é rápido. É no meu tempo. É na minha força. É na minha verdade. Eu não tô tentando ser perfeita, nem indestrutível. Tô só tentando ser eu — a mulher que passou pelo impossível e ainda escolhe continuar.

E se isso não é força… então eu não sei o que é.

Existe uma História Real

Existe uma história… Real 

Dizem que tem uma pessoa que vive com ansiedade e depressão.
Chamam ela de “dramática”.
De “sensível demais”.
De “pão depressivo”, “pão ansioso”, como se dor fosse meme.
Como se vida fosse brincadeira.

Mas ninguém vê o que acontece quando ela fecha a porta do quarto.
Ninguém escuta o coração acelerado do nada.
Ninguém sente o peso do corpo que não quer levantar.
Ninguém enxerga a luta que é respirar e fingir que está tudo bem porque o mundo exige “força”.

Essa pessoa?
Ela tenta.
Todo dia.
Mesmo quando a cabeça vira um buraco escuro e o peito parece não caber dentro da própria pele.

E sabe o que ela mais precisava?
Não era conselho pronto.
Não era julgamento disfarçado de preocupação.
Era alguém humano — HUMANO de verdade — que dissesse:
“Ei, eu tô aqui. Eu não vou te criticar. Eu só vou te ouvir.”

Porque quem passa por isso não precisa de plateia apontando o dedo.
Precisa de gente que estende a mão.

E se você que tá lendo isso se sente assim — isolada, sufocada, perdida — deixa eu te falar uma coisa sem rodeios:
você não é fraca. Você não é exagerada. Você não é vergonha nenhuma.
Você é uma guerreira carregando um peso que muita gente não aguentaria nem por um dia.

Fale.
Nem que seja sussurrando.
Nem que seja escrevendo uma frase torta no celular.
Porque sempre, SEMPRE existe alguém que vai ouvir e vir ao seu encontro — não para te julgar, mas para te segurar.

E pra quem acha que é “frescura”?
Antes de abrir a boca, tenta carregar esse peso por cinco minutos.
Aí a gente conversa.


---

— De Jeanette, para alguém que está precisando de socorro.

O amor 💘 que andava em Zigue-zague

O AMOR QUE ANDAVA EM ZIGUE-ZAGUE


Ela não estava procurando nada. Aliás, ela nem tinha tempo pra isso. O trabalho era pesado, o mundo era barulhento, e o coração dela vivia naquele ritmo de quem já apanhou e aprendeu a andar sozinha sem pedir licença.
Mas aí ele apareceu. Não com clarins, não com bravura. Apenas… apareceu. No corredor, nos intervalos, nas conversas rápidas que começavam com nada e viravam tudo.

Ele era daquele tipo que chega suave, mas deixa o caos organizado dentro da gente.

No começo, era só amizade — daquelas que aquecem, que fazem a gente respirar fundo e pensar “é seguro aqui”.
Até que um dia os olhares demoraram mais. As mãos tremeram. O silêncio pesou bonito.
E rolou o primeiro beijo.

Não foi épico.
Foi verdadeiro.
Daqueles que fazem a alma piscar.

E foi aí que tudo começou a quebrar.

Depois do beijo, ele ficou estranho.
Ela sentiu. É sempre a mulher que sente primeiro, né?
Ele sumiu nos próprios medos, desviou dela nos corredores, tratou como se ela tivesse se tornado um problema — quando, na verdade, ela só era humana demais pra ele lidar.

E mesmo assim… ela cedia.
Porque cada vez que ele puxava ela pra perto, o mundo dela renascia.
E cada vez que ele empurrava ela pra longe, o chão desaparecia.

O pior era quando ele passava reto, como se ela fosse invisível.
Ou quando soltava aquelas frases duras que cortam mais que faca:
“Não sei pra que alguém te vê.”

Esse tipo de palavra entra na carne, mas gruda na alma.

E tinha mais uma coisa:
Ele não era livre.
Nunca foi.
E ela sabia. Todo mundo sabia.
Os corredores cochichavam, os olhares apontavam, os boatos se alimentavam dele.

Mesmo assim, ela insistia.
Não por fraqueza — mas porque com ele ela se sentia viva.
O que ela tinha ali não era posse, não era certeza… era fogo.
E esse fogo, quando apagava, deixava ela sozinha na escuridão da própria esperança.

E assim ela seguia, presa num ciclo que queimava por dentro —
o ciclo de um amor que só existia quando ele queria existir.
Chegou um tempo em que tudo azedou de vez.
Uma palavra solta, uma mentira contada por quem não sabia de nada… e ele acreditou.
Acreditou no mundo, mas não nela.
Acreditou em quem nunca esteve presente, mas duvidou de quem sempre esteve ao lado.

E o desprezo veio seco, frio, covarde.
Ele virou o rosto, ignorou, fez de conta que ela era ninguém.
E ela — cansada de apanhar em silêncio — apenas retribuiu.
Ignorância por ignorância.
Silêncio por silêncio.
Ficaram assim por muito tempo… até o dia em que ele simplesmente se foi.

E quando ele partiu, algo nela partiu junto… mas não quebrou.

Ela ficou de pé.
Firme.
Com a cabeça erguida, porque dignidade sempre foi o que ela carregou no peito, mesmo quando o coração doía.
Não chorou por ele, não correu atrás, não implorou.
Ela gostava da presença dele, sim… mas gostava mais ainda da verdade.
E quando viu que ele pôde acreditar em qualquer um, menos nela, tudo fez sentido.

Ali ela entendeu:
o homem que ela idealizou nunca existiu.
A maturidade que ela enxergava era fantasia.
A honestidade que ela supunha era só esperança dela.

Então foi isso: ele se foi… e o romance se foi junto.

Mesmo sabendo tanta coisa, mesmo guardando verdades que poderiam desmontá-lo, ela nunca disse nada na cara dele.
Nunca julgou.
Nunca condenou.
Porque o que ela tinha ali não era ódio.
Era entrega, carinho, desejo… e um amor que, mesmo errado, era sincero.

E claro… ficou uma mágoa.
Aquela ardência fina que sobra quando alguém decepciona a nossa melhor versão.

Mas ela superou.

Superou ardendo, mas superou.
Aprendeu a respirar sem ele, aprendeu que boatos são só barulho fraco e que a verdade dela sempre foi limpa.
Tentou até — em pequenos gestos, não ditos — mostrar que amizade verdadeira não morre, mesmo quando foi temperada com amor proibido.
Tentou mostrar que o sentimento dela nunca foi veneno:
foi luz, foi pureza, foi chama.

Mas ele não viu.
Não entendeu.
Não quis.

E assim ela seguiu.
Um pouco mais forte, um pouco mais sábia.
Carregando a certeza de que amor bonito não se esconde e não duvida.

No final, ele desapareceu como um capítulo mal escrito…
E ela ficou como um clássico: inteira, eterna, verdadeira.

Porque o amor dela era eterno — mas eterno não significa infinito.
Ela o deixou ir.
E deixou que a própria alma dela ficasse.
Mas se ele por um milésimo de segundo retribuise, gostasse ou acreditasse nela; seria tudo diferente.
“E no silêncio que ele deixou, ela finalmente se encontrou.”
E assim, pura e ardente, ela renasceu.

Parte 2 

O INCÊNDIO E O GELO

Ela vivia num território dividido: meio coração, meio consciência. E os dois lados guerreavam como se o amor fosse uma trincheira.

Por um lado, tinha aquele sentimento bruto, íntimo, quase proibido — uma faísca que ele acendia com um olhar, um toque, uma palavra dita pela metade. Era como se o corpo dela soubesse antes da mente que ali existia um perigo delicioso. Algo que podia derrubá-la, mas que também fazia o peito vibrar como se estivesse descobrindo o amor pela primeira vez.

Por outro lado, tinha o medo. O medo que apertava a garganta, lembrando que ele não era dela. Nunca foi, nunca prometeu ser. E por mais que ela tentasse racionalizar — dizendo pra si mesma que aquilo era errado, que ela merecia mais, que aquilo ia terminar mal — o coração insistia em desobedecer.

Era uma guerra silenciosa: o desejo puxava, a culpa segurava.

Sempre que ele chegava perto demais, ela sentia a alma dela crescer. Era como se alguém finalmente enxergasse a mulher por trás da armadura, entendesse sua força, seu jeito, sua essência. E ela se permitia sentir isso — mesmo sabendo que não deveria.

Mas logo depois vinha a queda.

Porque ele mudava. Ele gelava. Ele se afastava como se tocar nela fosse crime. E cada afastamento dele acordava nela um medo primitivo: o medo de estar se entregando a alguém que não ficaria.

Ela tentava se convencer: "Eu paro. Amanhã eu paro. Da próxima vez eu não cedo." Mas bastava ele levantar os olhos, bastava ele chamar pelo nome dela de um jeito leve, quase inocente… que tudo desmontava.

O conflito dela não era só entre certo e errado. Era entre pertencimento e abandono. Entre o que ela desejava e o que ela temia. Entre o fogo que ele acendia e o gelo que ele deixava na saída.

Ela sabia — sabia com todas as fibras — que aquilo não tinha futuro. Mas, ao mesmo tempo, aquele pedaço de carinho, mesmo bagunçado, mesmo proibido, era o que fazia ela não se sentir tão invisível.

E ter gostado dele não foi escolha. Mas continuar cedendo… isso sim era um abismo que ela via, mas no qual caía de olhos abertos.

CAPÍTULO 3 — O FIM QUE NÃO PEDIU LICENÇA


Chegou um momento em que tudo desandou de vez. Não foi uma briga, não foi um gesto claro… foi uma palavra solta por alguém que nem sabia da missa a metade. Falaram algo dela. Algo que ela não fez, não disse, não pensou. E ele acreditou. Ele acatou a versão dos outros como se a dela nunca tivesse valor.


Ali, o desprezo dele veio seco. Sem explicação, sem cuidado, sem nada. Ele a ignorou como se ela tivesse cometido algum crime invisível. E ela, cansada de se machucar tentando decifrar o silêncio dele, finalmente devolveu na mesma moeda: ignorância pelo ignorante. Silêncio pelo silêncio.


E assim ficaram. Dias, semanas, meses — cada um vivendo na própria bolha, sem troca, sem olhar, sem vestígio do que um dia queimou tão forte.


Até que ele se foi.

Simples assim. Foi embora, e com ele foi o romance, a fantasia, a ilusão que ela tinha construído com tanto cuidado.


E o mais impressionante:

Ela ficou de pé.

Firme.

Inteira.

A cabeça erguida como quem entende, enfim, que aquilo nunca foi amor — foi projeção, carinho, desejo e esperança. Mas amor de verdade não faz a gente duvidar de si mesma.


Por mais que ela gostasse da presença dele, o que realmente doeu foi perceber que ele conseguiu acreditar em qualquer um… menos nela. E isso abriu os olhos dela como nenhuma dor antes.


Foi nesse instante que tudo dentro dela virou chave. Ela entendeu que o homem que ela idealizou jamais existiu. A maturidade que ela via nele era invenção dela. A honestidade que ela enxergava era esperança. A verdade que ela sentia era só dela — nunca dele.


E mesmo sabendo tantas coisas, mesmo carregando verdades que poderiam desmontá-lo, ela nunca jogou nada na cara dele. Nunca julgou. Nunca condenou. Porque o que ela tinha ali não era disputa.


Era entrega.

Era amor.

Era desejo.


E talvez por isso ela tenha sido a única dos dois capaz de partir com dignidade.


O fim chegou — não pelo desgaste, mas pela revelação. E, no silêncio final, ela descobriu que a força sempre esteve nela, nunca nele.

O SOBROU DEPOIS DO INCÊNDIO 


O fim chegou — não pelo desgaste, mas pela revelação. E, no silêncio final, ela descobriu que a força sempre esteve nela, nunca nele.terminado — ele, o romance, a esperança torta — sobrou nela um gosto amargo. Não daquele amargo que destrói, mas daquele que ensina. A mágoa veio, claro. Ninguém sai ilesa de um amor que nunca assumiu o próprio nome.


Mas ela superou.


Superou como quem respira fundo depois de muito tempo sem ar. Como quem entende que certas dores não são castigo — são clareza.


E mesmo carregando a ferida, ela não desejou o mal. Pelo contrário: tentou, na medida do possível, mostrar a ele que boatos são só isso — vento. Coisa que passa, coisa que não firma raiz. Que a verdade dela sempre foi limpa, direta, honesta. Que o que existia ali, mesmo atravessado pelo proibido, era algo raro: uma amizade com toque de amor. Daquelas que não morrem, apenas mudam de forma.


Ela tentou fazê-lo ver, mesmo que em silêncio, que o sentimento dela nunca foi veneno. Foi luz. Foi intenção pura. Foi entrega sem cobrança. Foi desejo ardente, mas nunca destrutivo.


Só que ele não enxergou. Talvez por medo, talvez por covardia, talvez porque nunca esteve preparado para algo tão verdadeiro.


Então ela seguiu.


Com o coração marcado, sim — mas não quebrado. Porque a mágoa dela não virou ódio. Virou aprendizado. Virou força. Virou a certeza de que ela merece alguém que acredite nela antes de acreditar nos outros.


E no fim, enquanto ele partia e desaparecia como um capítulo mal resolvido, ela ficou. Firme. Inteira. Carregando dentro de si uma verdade que ele nunca soube guardar:


Que o amor dela, mesmo platônico, mesmo bagunçado, mesmo impossível, sempre foi eterno na essência.


Mas eterno não significa infinito.


Ela o deixou ir — e deixou que a própria alma dela ficasse.


E assim tudo terminou: em silêncio.

Ela ficou ali, quieta, esperando que um dia ele enxergasse o que era real dentro dela — o sentimento que nunca precisou de tradução.

Mas ele se foi sem um adeus, sem um cuidado, sem um olhar pra trás.

E o coração dela rachou, não por fraqueza, mas por ter amado sozinho demais.


Ainda assim, no cantinho mais secreto da alma, ela guarda um sonho teimoso:

que um dia, em algum tempo que ainda não chegou, os dois se reencontrem — não para reviver o que foi, mas para construir a história que nunca tiveram chance de viver.




sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Os corredores do Hospital

“Os Corredores, o Café e o Relógio''


Nos corredores de um hospital sempre apressado, onde passos ecoam histórias que ninguém conta, dois olhares se cruzavam diariamente. Eram apenas cumprimentos rápidos, um “bom dia” tímido, um relance curioso. Nada profundo, nada assumido — mas havia algo ali. Algo que um reconhecia no olhar do outro, mesmo sem saber nome, história ou destino.

Até que um dia tudo se dissolveu.

Ele enfrentou um problema sério de saúde no trabalho. A empresa, à qual ele havia dado corpo, força e lealdade, simplesmente o dispensou. Sem cerimônia. Sem acolhimento. Um número substituído por outro. Depois disso, desapareceu dos corredores e da rotina. Nunca mais foi visto.

O tempo passou.

E então, pelas redes sociais, aquele rosto reapareceu — agora atrás de uma foto distante, quase irreconhecível. A conversa começou despretensiosa, mas logo ele se abriu, falou da própria vida, dos medos, das marcas deixadas pela empresa que o descartou. Havia bloqueios nele, conflitos, feridas antigas que ainda sangravam.

A troca existiu, foi leve, sincera. Mas havia turbulências no caminho.
E, diante de tanta confusão interna, o aplicativo foi desinstalado.
Fim de conversa. Fim de ciclo.

Até que, um tempo depois, o aplicativo voltou… e com ele, a conversa também.

Ele reapareceu com outra energia. Falou dos amigos, dos cafés, das vontades simples. Um convite surgiu, e um café foi marcado. O encontro fluiu, cheio de risadas tímidas e verdades ditas no meio do caminho. A conexão parecia renascer.

Mas, conforme se abria, deixava escapar uma visão dolorida: acreditava que mulheres só se aproximavam para aproveitar situações, que havia sido ferido, usado, enganado. Falava de um amor antigo como se fosse prova de que sentimentos verdadeiros não existiam mais.
Essa visão chocou com ideias diferentes, com uma forma diferente de enxergar o amor, o cuidado, a entrega.

Veio o choque de percepções.
Veio o afastamento.
Veio o bloqueio nas redes sociais.

Silêncio.

Depois, uma nova abertura: mensagens pelo WhatsApp.
As conversas voltaram, mais maduras, mais cautelosas.
O encontro aconteceu novamente.
Houve carinho, houve proximidade, houve envolvimento.
Mas não houve entrega mútua.

Ele dizia que tudo dele acontecia “no tempo dele”.
Respostas, conversas, presença — tudo regulado pelo ritmo que escolhia.
Não queria pressão, não queria cobrança, não queria compromisso.
Queria liberdade total, sem entender que atenção não é prisão, é afeto.
E mesmo sem perceber, a falta dele começava a gerar buracos.
Buracos que deixavam claro que ele estava cada vez mais distante, mesmo quando parecia perto.

Até que, em uma conversa marcante, ele disse:

“Eu estou onde devo estar: no trabalho.”

E essa frase pesou.
Pesou porque ele não viu que o primeiro trabalho pelo qual deu o próprio sangue o descartou.
E que, se repetir a mesma entrega cega, o segundo fará exatamente igual.
A vida tem um ciclo cruel quando não aprendemos a nos proteger.

Enquanto isso, do outro lado da história, havia alguém vivendo ansiedade, depressão, burnout, fragilidades que pediam cuidado, não distanciamento. Alguém que antes era coragem pura, movimento, impulso — e que agora recuava por medo.
Não por falta de vontade, mas por falta de força.

Ele não queria compromisso.
Não queria exclusividade.
Não queria vínculo profundo.
E isso apagou qualquer chance real de crescimento a dois, mesmo com todo o carinho que existiu nos momentos bons.

E assim a história se completa:

Dois olhares que nasceram num corredor.
Um desencontro causado pela vida.
Uma reaproximação pelas redes.
Conversas intensas, cafés, verdades ditas.
Conflitos, medos, bloqueios.
Afastamentos e retornos, cada um com sua dor.
E, no fim, dois caminhos caminhando paralelos, mas não juntos.

Ele, ainda preso ao trabalho que ocupa todo o tempo.
Ela, tentando se reconstruir dentro das próprias cicatrizes.
Ambos com valor.
Ambos com história.
Ambos com algo bonito que existiu — mesmo que breve.
E ambos cientes de que, um dia, se o tempo curar e o medo se silenciar, talvez uma conversa tranquila, doce e suave possa acontecer novamente.

Mas, por agora, cada um segue o próprio ritmo.
Sem vilões.
Sem culpados.
Só seres humanos tentando não se quebrar de novo.

Simplesmente Eu 

Eu também existo

“Eu também existo — e estou tentando”


Eu tô tentando.
Mesmo cansada, mesmo machucada, mesmo invisível…
Eu tô tentando.

Tô tentando ser mãe, ser mulher, ser forte…
Quando tudo que eu queria era alguém que me enxergasse por dentro.
Meus filhos, minha família, as pessoas ao meu redor…
Parecem esquecer que eu também sou gente.
Que eu sinto. Que eu erro. Que eu choro escondido.

E quando eu erro?
Quando eu fraquejo tentando acertar?
Vem o julgamento. Vem a crítica.
Mas ninguém olha e diz: “Ela tentou. Ela tava dando o melhor dela.”
Porque é isso que dói:
Quem nunca errou tentando acertar?
Quem nunca caiu tentando levantar alguém?

E nesse caminho difícil, eu carrego comigo a história dos meus pais.
Um pai que teve a vida marcada pela dureza, mas nunca perdeu a dignidade.
Uma mãe que não teve oportunidades, mas teve amor no coração.
Dois seres humanos julgados pelo que não puderam ser…
Mas que deram o que tinham. E isso deveria bastar.

Hoje, eu olho pra trás e vejo que errei com eles também.
Porque só agora, vivendo as minhas batalhas, é que eu entendi a deles.
E agora eu grito:
Ninguém é perfeito. Todos nós só precisamos de um pouco mais de compaixão.

Eu não quero pena.
Eu só quero respeito.
Eu quero que vejam que eu também existo.
Que eu também canso.
Que eu também preciso de colo.

Parem de me mirar como alvo.
Parem de atirar flechas em quem tá tentando segurar tudo com as mãos nuas.
Eu tô aqui.
Inteira, mesmo que quebrada.
Forte, mesmo querendo desabar.
Humana — tentando acertar, mesmo errando.

E se isso não for suficiente pra merecer apoio, então o mundo tá muito doente.
Porque só quem sente, entende.

Porque por trás de cada silêncio meu… tem uma dor gritando.
E eu só quero ser tratada como o que eu sou: humana.
Será que ninguém vê que eu também existo?

Eu não sou só a mãe, a filha, a mulher forte.
Eu sou uma pessoa.
Com dores, sonhos, exaustão.
Com um coração enorme — mas que também cansa de apanhar.

E se alguém me julgar por isso, tudo bem.
Porque quem nunca se sentiu assim, nunca amou de verdade.
Nunca viveu com o peito aberto.

Mas se você tem coração…
Se você sabe o que é sentir na pele o abandono e mesmo assim continuar…
Então me escuta.
Me enxergue.
Porque eu estou aqui. Ainda de pé. Ainda tentando.
E tudo que eu peço é um pouco de apoio. Um pouco de carinho.
Só isso.
Nada mais.

Simplesmente Eu 

Escrevo para mim, e falo baixinho como quem se dar um abraço


A chuva cai sobre o meu corpo e escorre pelos meus cabelos ruivos como fios de cristal.
Por muito tempo, ouvi nela a voz da tristeza — pensei que o céu conspirava contra mim.
Hoje sei: o tempo é inocente. O vento só sopra, o céu só se abre.
O que doeu veio de corações humanos, não da água que cai.

A chuva já foi lembrança pesada; agora escolho vê-la diferente.
Ela pode ser abraço, limpeza, renovo. Pode bater na pele e arrancar o pó dos meus medos.
Posso dançar com ela na areia, ouvir a música das ondas e sorrir.
A mesma água que um dia trouxe lágrimas hoje me banha em alegria.

Deixo a chuva cair. Deixo-a molhar meu rosto, meus cabelos, minha pele que insiste em viver.
Faço da chuva testemunha da minha reconstrução: não sou a minha dor.
Sou quem aprendeu a separar o tempo dos gestos cruéis.
Sou quem transforma um dia cinzento em promessa de alegria.

Escrevo isto para mim, para lembrar: a chuva não é ruim. Nós que, às vezes, somos.
E eu escolho ser luz — até quando chove. 🌧️✨

Minha verdade

Minha verdade — a história que ninguém imagina

“Estou abrindo meu peito porque cansei de carregar tudo sozinha.
Há três anos a minha vida virou uma batalha diária.
Ansiedade, depressão e burnout não chegaram batendo na porta — eles entraram, me abraçaram forte e não soltaram mais.
E o mundo ao redor… fingiu que não viu.
Precisei de ajuda.
Ninguém pôde me ajudar.
Desci ao fundo, voltei, e continuo lutando. Mas a verdade é dura: por fora eu rio, por dentro estou em pedaços.
E, mesmo assim, ainda tem quem chame isso de frescura — como se fosse bonito acordar cansada, dormir à base de remédios e sentir a própria mente te puxando para baixo.

Estou há meses sentindo dores pelo corpo inteiro.
Fibromialgia não perdoa, não dá trégua, não espera.
Tem dias em que eu não tenho força pra levar minha filha na escola… e eu vou assim mesmo, com dor, com peso, com alma no limite.
Eu tento ajudar quem passa por isso também.
Mando mensagem.
Nem sempre sou respondida.
E eu entendo — porque eu sei o que essa dor faz com a gente.
Eu sei como ela cala.
Eu sei como ela trava.
Eu sei como ela isola.
Mas o que eu não aceito é ser rotulada.
Não julga quem você não conhece por dentro.
Não chama de frescura o que você nunca enfrentou.
Ninguém imagina o que é viver a dor do abandono emocional, a sensação de inutilidade, a frustração de não ter sequer o direito de ter um dia leve.
Ninguém imagina o que é depender de remédio pra dormir, acordar com dor, mover o corpo como se carregasse toneladas.
Eu não conto tudo isso pra que sintam pena.
Eu conto porque preciso mostrar que isso é real.
Que existe.
Que dói.
E que eu sigo aqui, vivendo o que posso, do jeito que dá, um dia por vez.

Eu estou cansada, mas não estou vencida.
Eu estava sozinha, mas agora eu falo.
Eu sofri calada, mas agora eu me nomeio.
Porque a dor não é frescura — falta de empatia sim.”

Simplesmente Eu 

Desabafo de uma mãe

Desabafo de uma mãe que ainda ama, mesmo cansada

Filho...

Você diz que tudo que eu faço é errado.
Que eu sou mal-educada, que me acho dona da verdade.
Você diz que o que eu falo não tem valor, não é prioridade...
E isso me mata um pouco por dentro. Todo santo dia.

Você não imagina o peso que essas palavras carregam pra mim.
Não porque me ofendem. Mas porque me machucam vindo de você.
Você, que eu carreguei nos braços, protegi no silêncio, defendi com unhas e alma.
Você, que foi meu motivo quando eu não tinha forças nem pra continuar.

Eu não sou perfeita, filho. Mas tudo que eu fiz foi com amor.
Você cresceu com minha comida no prato, com meu sono sacrificado, com minhas orações sussurradas toda noite — mesmo quando ninguém via.

Você pode até me ver como um erro...
Mas um dia, quando eu me for — e eu sei que esse dia vai chegar —
Quero que você lembre dos meus risos,
das minhas palhaçadas bobas só pra te ver sorrir,
do meu jeitão às vezes desajeitado, mas sempre inteiro por você.

Quero que venha na sua memória os momentos bons.
Aquelas tardes simples, nossos olhares, minha voz te chamando...
E que você entenda, mesmo que tarde, que eu só queria ser amada do jeito que te amei.

Não desejo sua dor. Desejo sua reflexão.
Mas se um dia você sentir minha falta…
Que ela te ensine a valorizar quem ama antes que vire saudade.

Com todo o amor que ainda mora em mim,
Sua mãe.

Simplesmente Eu