Redação
Hoje eu quero falar de mim.
Estou afastada do trabalho, mas isso não significa incapacidade. Muito pelo contrário. Eu sei quem eu sou, sei da profissional que sempre fui e da responsabilidade que carrego. Eu trabalho com vidas, não com objetos. E eu jamais faria "o que dá". Eu faço o que é necessário para quem precisa dos meus cuidados.
Se hoje estou afastada, é porque tive a consciência de reconhecer que precisava cuidar de mim primeiro. Eu não gostaria que alguém debilitado cuidasse de mim; por isso, escolhi voltar apenas quando estiver bem emocionalmente, conscientemente e fisicamente. Isso não é fraqueza. Isso é responsabilidade.
Desde 2022, tenho enfrentado batalhas que muitos desconhecem. Tenho caído e levantado inúmeras vezes. E, na maior parte delas, sozinha. Eu e Deus sabemos quantas lágrimas enxugamos em silêncio, quantas noites difíceis enfrentamos e quantas vezes encontrei forças quando achei que não teria mais.
Saí das redes sociais porque não gosto de viver de aparências. Não consigo postar sorrisos que não estou sentindo, nem fingir uma felicidade que não existe naquele momento. Gosto da verdade. Gosto de ser transparente. Gosto de mostrar quem realmente sou. Não tenho duas faces, não tenho duas personalidades e não quero construir uma imagem diferente da minha essência.
Aprendi, na ausência, quem realmente se importa. Aprendi que nem todos que perguntam por você desejam o seu bem. Alguns perguntam por preocupação; outros, por curiosidade, ironia ou para saber se você realmente caiu. Também aprendi que existem pessoas que amamos e em quem confiamos, mas que, quando mais precisamos, não conseguem estar presentes.
Isso dói.
Pedi ajuda a pessoas em quem confiava. Pedi apenas presença, um olhar, uma visita, um pouco de apoio. E ouvi ausências. Não estou aqui para julgar ninguém. Cada pessoa enfrenta suas próprias tempestades. Mas a dor ensina. E ela me ensinou a rever quem permanece na minha vida.
Hoje, na minha agenda, permanecem aqueles que considero sinceros comigo e com quem também procuro ser sincera. Talvez eu já tenha sido ausente com alguém sem perceber, consumida pela correria de uma rotina exaustiva. E, se isso aconteceu, peço perdão. Mas hipocrisia nunca fez parte de quem eu sou. Posso ter falhado sem intenção; fingir sentimentos, nunca.
O ser humano pode ser ingrato, sim. Muitas vezes esquecem uma oração, uma carona, uma visita, uma palavra de apoio ou uma ajuda que, para quem recebeu, foi grandiosa. Nem sempre o bem que fazemos volta da forma que esperamos. E tudo bem. Continuarei fazendo o bem porque essa é a minha essência.
A Bíblia diz que maldito é o homem que confia plenamente no homem. Mas também ensina que é melhor serem dois do que um, porque, se um cair, o outro o ajuda a levantar. Talvez o meu erro tenha sido esperar apoio de quem não podia oferecer. Ainda assim, não deixarei de acreditar nas pessoas boas que Deus coloca no nosso caminho.
Se você está lendo esta mensagem, saiba que é importante para mim. Mas hoje eu também me pergunto: o quanto eu sou importante para você? O quanto você valoriza a minha amizade, a minha presença, o meu carinho? Talvez eu tenha te magoado sem perceber. Talvez você tenha me magoado sem perceber. Talvez saibamos onde erramos e ainda haja tempo para consertar.
Não sei o que será do amanhã. Por isso, falo hoje.
Se eu errei com você, peço perdão. Faço isso pela paz do meu coração e porque aprendi que o perdão liberta. Se você puder me desculpar, serei grata. E, se eu precisar te perdoar, também perdoo. Jesus nos ensinou a perdoar setenta vezes sete.
Minha vida continua nas mãos de Deus. Não nas mãos da opinião das pessoas, nem da aprovação delas.
E, apesar de tudo, continuo de pé.
Ainda sou a mesma mulher: verdadeira, trabalhadora, humana, imperfeita, mas cheia de fé. Continuo acreditando no amor, na amizade sincera e no cuidado com o próximo.
Porque o mal existe, mas o bem também existe.
E eu escolho continuar sendo luz, mesmo nos dias em que tudo dentro de mim parece escuridão.
Jesus nos ensinou a perdoar setenta vezes sete. E eu acredito que Ele não estava falando de matemática. Ele estava falando sobre a capacidade de perdoar infinitamente, de não permitir que o rancor endureça o nosso coração.
Que nós possamos nos perdoar. Que possamos reconhecer nossos erros, pedir perdão quando necessário e oferecer perdão quando for preciso. Que possamos fazer a diferença na vida uns dos outros enquanto ainda temos tempo.
E para você que está vendo esse vídeo, eu sei que, em algum momento, alguém vai perguntar por mim. E eu quero que você responda com a verdade.
Se alguém perguntar se eu estou na merda, pode dizer que, humanamente falando, estou passando por dias muito difíceis. Estou sem trabalhar, estou sem dinheiro, enfrento batalhas que muitos não conhecem e, muitas vezes, sinto que não encontro o apoio que esperava encontrar. Os médicos, por diversas razões, nem sempre conseguem me ajudar da forma que eu gostaria.
Mas diga também que eu não estou derrotada.
Diga que eu estou sustentada por Jeová Jiré, o Deus da provisão. Diga que estou acompanhada por Jesus Cristo, o Leão da Tribo de Judá. Diga que, mesmo quando tudo parece dizer "não", Deus continua dizendo: "Eu estou com você".
Podem pensar que estou sozinha, mas não estou. A companhia de Deus tem me mantido de pé quando minhas forças acabam. É Ele quem me levanta quando eu caio, quem enxuga minhas lágrimas quando ninguém vê e quem me lembra todos os dias que o meu valor não depende do que eu tenho, do que eu produzo ou do que as pessoas pensam ao meu respeito.
Talvez algumas pessoas me detestem. Talvez me invejem sem que eu tenha nada material para mostrar. Talvez torçam pela minha queda. Mas eu não entrego a minha vida nas mãos da maldade humana. A minha vida pertence a Deus.
Eu não sei o que será do amanhã. Mas sei quem segura o meu amanhã.
E enquanto houver fôlego em mim, continuarei acreditando, amando, perdoando e recomeçando.
Porque eu posso estar atravessando o vale, mas eu não moro nele.
Deus ainda escreve a minha história.
Simplesmente Eu
Nenhum comentário:
Postar um comentário