segunda-feira, 14 de setembro de 2026

As marcas que ninguém vê


Há marcas no meu corpo
que não contam toda a história.
Algumas vieram das medicações,
outras vieram dos dias difíceis,
e tantas outras ficaram escondidas
onde ninguém consegue enxergar.
As pessoas olham para mim
e talvez pensem que estou bem.
Eu sorrio, converso, respondo,
sigo tentando…
porque aprendi a esconder a dor
para não parecer fraca,
para não incomodar,
para não fazer ninguém carregar
um pouco do peso que carrego.
Mas ninguém sabe
quantas vezes meu corpo pede descanso
e minha alma pede colo.
Ninguém vê a batalha
que existe por trás de um simples
“estou bem”.
Não veem as noites difíceis,
os dias em que levantar parece uma montanha,
a dor que chega sem pedir licença,
o cansaço de lutar contra aquilo
que nem sempre pode ser explicado.
E eu sofro calada.
Não porque não sinto.
Sinto demais.
Às vezes fico em silêncio
porque tenho medo de que alguém pense
que estou reclamando.
Tenho medo de ser um peso.
Tenho medo de que olhem para minhas limitações
e esqueçam tudo aquilo que eu ainda sou.
Mas eu preciso dizer:
eu não sou as marcas do meu corpo.
Eu não sou a minha doença.
Eu não sou os dias em que não consigo.
E muito menos sou inútil.
Sou alguém que continua tentando
mesmo quando ninguém percebe.
Sou alguém que já deu tanto de si
que agora está aprendendo, lentamente,
que também merece receber cuidado.
Essas marcas talvez desapareçam um dia.
Outras talvez permaneçam por algum tempo.
Mas elas não são vergonha.
São testemunhas silenciosas
de uma mulher que está atravessando uma tempestade
e, mesmo cansada,
ainda procura um pedaço de céu.
Quem olha para mim vê uma pessoa.
Quem olha com amor talvez consiga enxergar a luta.
Mas somente eu sei
o quanto tem custado continuar.
E se hoje eu estiver mais quieta,
mais frágil ou mais cansada,
não significa que desisti.
Significa apenas
que, por um momento,
eu também preciso ser cuidada.
Porque até quem sempre foi forte
tem o direito de dizer:
“Hoje dói.
Hoje eu preciso de carinho.
Hoje eu só quero que alguém me enxergue
além das marcas.” 🤍

Nenhum comentário:

Postar um comentário